Refúgio ainda é um desafio na sojicultura brasileira

Adeney Bueno é pesquisador da Embrapa Soja

Adeney Bueno é pesquisador da Embrapa Soja

Amplamente conhecido nas regiões agrícolas, o refúgio é sempre tema de discussões em torno da longevidade das tecnologias. Porém, mesmo que os benefícios econômicos e sustentáveis da prática sejam reconhecidos, muitos produtores ainda resistem em adotar o refúgio. O plantio e manutenção da área representa o principal componente do plano de Manejo de Resistência de Insetos (MRI) das variedades de soja Bt.

Devido a essa importância, o Monsanto em Campo conversou com o pesquisador da Embrapa Soja, Adeney Bueno, que reforçou a importância, incentivou a  prática e salientou os prejuízos que a ausência do sistema pode trazer para a agricultura. Confira a seguir:

Quando o refúgio começou a disseminar no Brasil?

Desde quando surgiram as primeiras plantas Bt cultivadas comercialmente. Com esse novo segmento, começaram as recomendações de proteção com o objetivo de preservar a eficácia da tecnologia por mais tempo. É importante lembrar que o refúgio é apenas uma das práticas para evitar a evolução da resistência de insetos às plantas Bt.

Na qualidade de pesquisador, como você vê a importância do refúgio?

O refúgio pode ser visto como uma forma de preservar a tecnologia que usamos para retardar ao máximo um possível estabelecimento de uma população de insetos resistentes. A prática permite ao produtor contar com a tecnologia por mais tempo, o que é bastante positivo financeiramente.

Por que ainda enfrentamos resistência por parte de alguns produtores?

O problema que enfrentamos hoje muitas vezes não está relacionado com a negligência com o procedimento, mas sim com a falta de conscientização da sua relevância. Há um desconhecimento da real importância da prática e do prejuízo que a falta dela pode causar.  Outro obstáculo que dificulta a adoção é a ansiedade de querer a maior produtividade na área total num curto espaço de tempo, deixando de lado os cuidados que o refúgio para a cultura da soja exige, como plantar 20% das sementes não-Bt.

Para minimizar essa resistência, que medidas podem ser tomadas tanto pelos órgãos públicos quanto pelos privados?

A prática precisa ser incentivada e a Monsanto, com o site “Refúgio com Desconto”, da um bom exemplo de incentivo financeiro para que o produtor se sinta motivado a adotar o refúgio.

Acredito que os órgãos públicos poderiam auxiliar na educação com programas que preguem a importância da prática e os benefícios que ela traz para o agricultor. Outra sugestão são treinamentos com os tomadores de decisões, como técnicos agrícolas, para que o refúgio passe de opção para solução. Além disso, o intercâmbio de informações entre produtores também é um caminho para a disseminação. Conscientização é a palavra de ordem.