Biotecnologia favorece uma alimentação saudável e rica em nutrientes

Complementar à biotecnologia, o melhoramento genético convencional também possibilita o desenvolvimento de alimentos mais nutritivos e produtivos

Complementar à biotecnologia, o melhoramento genético convencional também possibilita o desenvolvimento de alimentos mais nutritivos e produtivos

Graças à biotecnologia, muito mais do que fontes de nutrientes, os alimentos biofortificados são poderosos aliados no combate à doenças crônicas como diabetes e colesterol. Por isso, recentemente, a Embrapa iniciou um projeto de pesquisa para desenvolver alfaces com alto teor de ácido fólico, proteína também conhecida como folato,que é responsável pela manutenção do sistema nervoso e do desenvolvimento fetal durante a gestação.

Para este alimento, o melhoramento genético consiste em inserir dois genes na alface: um responsável pela enzima GTP-ciclohidrolase (sintetizado em laboratório), e outro oriundo do tomate. O objetivo do procedimento é aumentar os precursores do folato na hortaliça.

“O ácido fólico pode ser encontrado nos vegetais de folhas verde-escuras, mas, como a alface é uma das hortaliças mais consumidas no Brasil e é ingerida in natura, achamos que a cultura era perfeita para receber o melhoramento. Isso porque quando os alimentos são cozidos ou assados, acabam perdendo nutrientes”, explicou Francisco Aragão, pesquisador da Embrapa e responsável pelo estudo.

Na ocasião, Aragão também comentou que o ácido fólico é importante na síntese de aminoácidos. Sua ausência no organismo humano compromete a produção de ácidos nucleicos, responsáveis pelo armazenamento e transmissão das informações genéticas. A falta do folato está relacionada com algumas doenças do sistema nervoso e pode provocar má formação do tubo neural do feto humano durante a gestação. Além disso, há vestígios de que a carência do ácido fólico esteja relacionada à esquizofrenia e a casos de depressão.

A pesquisa desenvolvida pela Embrapa está desenvolvendo uma linhagem de alfaces capazes de produzir quinze vezes mais ácido fólico. Em janeiro de 2014, foram realizados os primeiros testes de campo com as variedades geneticamente modificadas (autorizados pela CTNBio) na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília (DF), com resultados positivos.

Biotecnologia e melhoramento convencional

Complementar à biotecnologia, o melhoramento genético convencional também possibilita o desenvolvimento de alimentos mais nutritivos e produtivos. A Seminis, divisão de hortaliças da Monsanto, realiza estudos para avaliar as necessidades dos agricultores, dos consumidores e das indústrias de processamento, o que gera um trabalho em conjunto entre os times de Melhoramento, Desenvolvimento Tecnológico, Marketing e Comercial em busca dos melhores produtos.

“A pesquisa de novos materiais no Brasil é posicionada de acordo com as exigências do mercado, de forma que os novos híbridos atendam as necessidades da cadeia de hortaliças como um todo”, finalizou Ana Carolina Morotti, analista de Marketing Tático da Seminis.